Visão Geral
O inesperado
No final do século 19, a física clássica parecia quase completa para
alguns, mas essa percepção foi desafiada por achados experimentais que tal
física não era capaz de explicar. Teorias físicas que funcionavam bem para
situações na escala humana de espaço e tempo falhavam para explicar situações
que eram muito pequenas, muito massivas, ou que se movia a velocidades muito
elevadas. Uma visão do universo que havia sido imposta por observações comuns
estava sendo desafiada por observações e teorias que previam corretamente onde
a mecânica clássica havia dado resultados impossíveis. Mas a figura que emergia
era a de um universo que se recusava a comportar-se de acordo com o senso comum
humano. Nas grandes escalas a teoria da
relatividade dizia que o tempo não passa
à mesma proporção para todos observadores, que a matéria poderia se converter
em energia e vice-versa, que dois objetos, se movendo a velocidades maiores que
a metade da velocidade da luz, não poderiam se aproximar a uma velocidade que
excedesse aquela da luz, que o tempo progride a taxas menores próximo a corpos
massivos, etc. As coisas não funcionavam da maneira que as experiências com
réguas e relógios aqui na terra haviam levado os humanos a esperar. Nas
pequenas, as maravilhas eram ainda mais abundantes. Um fóton ou elétron não têm
nem uma posição nem uma trajetória entre os pontos onde são emitidos e onde são
detectados. Os pontos onde tais partículas podem ser detectadas não são onde
alguém esperaria que fosse baseado nas experiências cotidianas. Com uma pequena
probabilidade, o ponto de detecção pode até mesmo ser do outro lado de uma
barreira sólida. A probabilidade é um fator saliente nas interações nessa
escala. A trajetória de qualquer objeto de escala atômica é imprecisa no
sentido de que qualquer medida que faça a posição de um objeto tornar-se mais
precisa reduz a precisão com a qual nós podemos observar sua velocidade e
vice-versa. Na era da física clássica, Isaac Newton e seus seguidores acreditavam que a luz era
constituída por um feixe de partículas, e outros acreditavam que a luz
consistia de ondas se propagando em algum meio. Ao invés de encontrar um
experimento que provasse que um dos lados estava certo, os físicos descobriram
que um experimento designado a mostrar a frequência da luz ou outras
"características de ondas" demonstrará a natureza ondulatória da luz,
enquanto que um experimento designado a mostrar seu momentum linear ou outra "característica corpuscular"
revelará a natureza corpuscular da luz. Ainda mais, objetos do tamanho de
átomos, e até mesmo algumas moléculas, revelaram sua natureza ondulatória
quando observados de maneira apropriada. Os mais eminentes físicos avisaram que
se uma explicação sobre a física quântica faz sentido no senso comum, então ela
muito provavelmente tem falhas. Em 1927 Niels Bohr escreveu: "Qualquer um
que não se chocar com a teoria quântica não a compreende." Como o
inesperado veio à luz
10 físicos que fizeram diferença para a teoria quântica.
As fundações da mecânica quântica tiveram seu início com os primeiros
trabalhos sobre as propriedades da luz, no século 17, e a descoberta das
propriedades da eletricidade e do magnetismo, no início do século 19. Em
1690, Christiaan Huygens empregou a teoria ondulatória para explicar a
reflexão e a refração da luz. Isaac Newton acreditava que a luz consistia de
partículas infinitesimalmente pequenas que ele chamou de
"corpúsculos". Em 1827, Thomas Young e Augustin Fresnel conduziram
experimentos sobre a interferência da luz que encontrou resultados que eram
inconsistentes com a teoria corpuscular da luz. Todos resultados teóricos e
empíricos ao longo do século 19 pareciam inconsistentes com a teoria corpuscular
da luz de Newton. Experimentos posteriores identificaram fenômenos, como o efeito fotoelétrico, que eram consistentes
apenas com um modelo de pacotes, ou quântico, da luz. Quando a luz incide sobre
um condutor elétrico, elétrons parecem se mover para longe de suas
posições originais. Em um material
fotoelétrico, como o medidor de luz em uma câmera, a luz incidindo sobre o
detector metálico faz com que os elétrons se movam. Aumentar a intensidade de uma luz que tenha apenas uma frequência
fará com que mais elétrons se movam. Mas fazer com que os elétrons se movam mais
rápido requer um aumento da frequência
da luz. Portanto, a intensidade da luz controla a corrente elétrica através do circuito, enquanto que sua
frequência controla sua voltagem. Essas
observações contrariaram a teoria ondulatória da luz derivada do estudo das
ondas sonoras e ondas do mar, onde a intensidade do impulso inicial era o
suficiente para prever a energia da onda resultante. No caso da luz, a energia
era função somente da frequência, um fato que precisava de uma explicação. Era
também necessário reconciliar experimentos que mostravam a natureza corpuscular
da luz com outros experimentos que revelavam sua natureza ondulatória. Em 1874,
George Johnstone Stoney foi o primeiro a propor que uma quantidade física, a
carga elétrica, não poderia variar menos que um valor irredutível. Portanto a
carga elétrica foi a primeira quantidade física a ser quantizada teoricamente.
Em 1873, James Clerk Maxwell demonstrou teoricamente que um circuito elétrico
oscilando deveria produzir ondas eletromagnéticas. Devido às equações de Maxwell foi possível calcular a
velocidade da radiação eletromagnética puramente através de medidas elétricas e
magnéticas, e o valor calculado correspondia muito proximamente à velocidade da
luz medida. Em 1888, Heinrich Hertz fez um aparelho elétrico que produzia
radiação cuja frequência era mais baixa do que a da luz visível,
radiação que nós atualmente chamamos
microondas. Pesquisadores iniciais diferiam na maneira de explicar a
natureza fundamental do que é chamado de
radiação eletromagnética, alguns afirmando que ele era composta por
partículas, enquanto outros diziam que era um fenômeno ondulatório. Na física
clássica essas ideias são mutualmente exclusivas. A mecância quântica teve
início com o artigo pioneiro de Max Planck em 1900 sobre a radiação de corpo
negro, marcando a primeira aparição da hipótese quântica. O trabalho de Planck
deixou claro que nem o modelo ondulatório nem o corpuscular conseguem explicar
a radiação eletromagnética. Em 1905, Albert Einstein estendeu a teoria de
Planck para o efeito fotoelétrico. Em 1913, Niels Bohr lançou seu modelo
atômico, incorporando a teoria quântica de Planck de uma maneira essencial.
Esses e outros trabalhos do início do século 20 formam a antiga teoria quântica.
Em 1924, Louis de Broglie criou a hipótese da dualidade onda-corpúsculo. Essa
hipótese provou ser um ponto de virada, e rapidamente levou a uma variante mais
sofisticada e completa da mecânica quântica. Contribuidores importantes em
meados dos anos 20 para o que veio a ser chamado de "nova mecânica
quântica" ou "nova física" foram Max Born, Paul Dirac, Werner
Heisenberg, Wolfgang Pauli e Erwin Schrödinger. No final da década de 1940 e
começo da de 1950, Julian Schwinger, Sin-Itiro Tomonaga, Richard Feynman e Freeman Dyson descobriram a eletrodinâmica quântica, que
avançou significamente nossa compreensão da teoria quântica do eletromagnetismo
e do elétron. Mais tarde, Murray Gell-Mann desenvolveu uma teoria relacionada
da força nuclear forte, chamada de cromodinâmica quântica.
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